2020, a nova década chegou.

Há que se repensar, remexer as estruturas, mexer naquilo que sempre demos como certo, transformar hábitos e olhares.

Um dos pilares dessa mudança que está se tentando construir baseia-se em sustentabilidade, em pensar hábitos e formas de consumo mais consciente, para tentar trabalhar por um mundo melhor para as gerações futuras. O que muitas vezes não paramos pra pensar é que mais uma vez, a arte pode ter papel fundamental nisso! Durante entrevista a Camila Coutinho em uma das edições de seu “Stupid Talks”, Patrícia Bonaldi, – estilista brasileira reconhecida nacional e internacionalmente por sua moda expressiva e de personalidade e seu minucioso trabalho com bordado – quando questionada sobre como posicionava sua empresa em relação ao “Slow Fashion” e as novas tendências de consumo consciente, respondeu: “Bordado a mão é slow fashion por natureza”. Assim também é a arte. Diferente de objetos em série, ou de uma produção em grande escala, as obras de arte pintadas a mão têm por sua característica mais primária carregarem o trabalho individual, a expressão traduzida manualmente através de tinta, madeira, pedra ou o material que for. Investir em objetos de arte, procurar obras únicas, representa, muito além de buscar uma assinatura por trás daquilo, representa contar histórias dentro de seu ambiente, representa procurar investir seu dinheiro de maneira mais consciente em um objeto que não seja meramente passageiro ou utilitário, mas sim em um objeto que faça parte da expressão de seu lar como uma extensão de sua personalidade.

Ainda na mesma toada, A Vogue Itália, famosa por suas edições de cunho social, promoveu, em Janeiro deste ano, a primeira edição de suas revistas totalmente confeccionada sem utilizar a fotografia – apenas retratada e ilustrada por artistas dos mais diferentes estilos e currículos. Segundo a própria Vogue, todo o trâmite por trás de gerar uma revista implica em custos, trajetos e dispêndios de energia e material, e essa foi uma forma encontrada para chamar a atenção sobre o assunto e provar que é possível “pensar e fazer diferente”. Mais uma vez, a solução para tal foi encontrada aonde? Na arte, no primário, naquilo que começou a ser feito centenas de milhares de anos atrás. A arte provou mais uma vez que, ao longo dos séculos, continua tendo o poder de provocar, inquietar, solucionar e acima de tudo, EXPRESSAR.

Acreditamos – e somos prova, ao longo desses 32 anos – do quanto as obras de arte podem trazer vida e cor aos lares e ambientes, podem materializar os sonhos e vontades de seus moradores e principalmente, agregar valor. Aliás, no mundo dos novos padrões de consumo, o valor agregado das coisas e a história que elas carregam têm tomado um sentido e uma importância muito maior. Na contramão de uma era de consumo desenfreado que se viveu na década passada, agora é a hora de reavaliar padrões, de buscar consumir com mais inteligência, de buscar um porquê por trás de cada coisa, e ao contrário do que se pode imaginar, quanto mais avançado e tecnológico se torna o mundo a nossa volta, mais valor ganha aquilo que tiver história, unidade e particularidade, e principalmente, aquilo que tiver seres humanos e suas histórias por trás.

 

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